segunda-feira, 22 de novembro de 2010

WORKAHOLIC: você conhece algum?

Tem dias que a gente se sente, como quem partiu ou morreu...,  há gente de todo tipo, em cada tipo de hora mas o Chico Buarque faz referência a isso que se dá em alguns dias. Há dias..., o que não é o caso do hoje identificado workaholic. Essa palavra vem de uma   expressão do inglês que identifica a pessoa viciada em trabalho ou em outra atividade. Pessoas que não se permitem como nos ensina Caymi:... passar uma tarde em Itapoã, ao sol que arde em Itapoã, ouvir o mar de Itapoã, falar de amor Itapoã...
Esse tipo de pessoa sempre existiu, entretanto o aumento da competitividade planetária, o jogo do dinheiro e/ou do poder, a real possibilidade do jogar e vencer, aliado à comodidade de levar a empresa, por exemplo, na pasta, para qualquer lugar, inclusive para a cama de dormir, a redução dos limites entre o que é trabalho e o que é lazer deu maior visibilidade ao problema,  a ponto de já existirem, em grandes cidades grupos de apoio e terapias.
Essas pessoas geralmente não conseguem se desligar do trabalho e iniciam um progressivo afastamento da família, dos amigos, de outros interesses pessoais, substituindo-os por interesses ligados ao trabalho. A situação criada, inicialmente prazerosa, irá trazer no seu decurso uma má qualidade de vida, já que esses profissionais sob as pressões do dia a dia, do estresse exagerado, diante de uma auto-estima permanentemente sob pressão, pode levar à insônia, a atitudes agressivamente exageradas, à desproporção, à depressão, à impotência sexual – dá-lhe viagra - e no decorrer do tempo, ao isolamento.  

Trata-se aqui não apenas do trabalho, mas do trabalho levado à obsessão. Estudos recentes de casos em clínicas, consultórios e/ou estudos acadêmicos chegam a apontar que estar viciado em trabalho pode ser comparado ao vício em álcool ou cocaína, por conta de sua motivação: a compulsão. Aqui não é toda a nudez que deve ser castigada como em Nelson Rodrigues, mas todo exagero deve ser evitado, pela via do equilíbrio, no aconselhamento de Platão.
              
            E por falar em trabalho, retorno a Caymi quando ele canta: minha jangada vai sair pro mar/ vou trabalhar/ meu bem querer / se Deus quiser quando eu voltar do mar/ um peixe bom eu vou trazer/  meus companheiros também vão voltar/ e a Deus do céu  / vamos agradecer.
              Veja que há aqui uma visão diferente de trabalho. Existe a noção pessoal – o eu, os outros – o nós, e, especialmente o bem querer, o retorno prazeroso com um belo peixe, o retorno dos amigos e o agradecimento ao Ser transcendente. Perfeito! E ainda dizem as más línguas que baiano não sabe trabalhar. As palavras de Caymi – um trabalhador musical de extraordinário - provam que ele gosta do trabalho que faz bem, que considera o amor, a amizade, o retorno prazeroso para o lar e o agradecimento a Deus ou aos deuses, Oxalá, meu pai!
             Pessoas que fazem do trabalho sua razão de viver os workaholics, são motivadas pela competição, pela busca de poder e de status, de exagerada realização profissional, às vezes, como fuga de outros problemas, alguns íntimos e familiares e de sua impossibilidade de encará-los e resolvê-los. Essas pessoas, via de regra, põem toda a emoção nas relações profissionais e para elas canalizam todas as suas potencialidades, e, assim utilizam o trabalho como escudo protetor.
Esquecem que há um ecossistema da vida afetiva, ignoram, talvez, a importância do espaço vital dos afetos, do corpo, dos sentidos e de como isso está ou deve estar enraizado nas atividades produtivas, físicas e socioculturais. O ser humano para tentar ter uma vida feliz deve compreender que ele é um conjunto de possibilidades e de potências, no aguardo de sua realização como um ser sistêmico.            

Ao fazer do seu trabalho o sentido de sua vida, os workaholics minimizam a importância das múltiplas possibilidades da construção holística do homem e de como ele deve se relacionar consigo, com os outros, com a transcendência. A sua participação na sua vida e na vida dos seus é precária e, normalmente, tem desdobramentos indesejados como os desajustes relacionais/familiares, ocorrentes com extrema freqüência.

Tais pessoas necessitam de ajuda profissional parra resolver problemas afetivo-emocionais que o afundamento no trabalho, por si só e, principalmente, em demasia, não soluciona, pelo contrário, agrava.
Algum especialista na área  pode imaginar que trato do  assunto de uma forma não profissional e entender este comentário como uma incursão indevida em sua área de atuação. Imagino, entretanto, que haja necessidade estrita de formação para estar atento às questões que atingem o humano em sua tragédia/comédia existencial. Tento ser um humano preocupado com as questões humanas. Todas elas me interessam.
A pergunta que não quer calar: você conhece alguém assim? Comente comigo e ampliemos o nosso conhecimento sobre o assunto.
Fora isso, como  Belquior, eu sou apenas um rapaz latino americano sem   dinheiro no bolso, sem parentes importantes e vindo do interior...
Inté...              

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