segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vamos fazer política e atirar pedras...

Agora que o período eleitoral já passou e os debates, are baba, é hora de falar  em coisa muito séria: política.
Para  Arendt, o nosso maior problema com a política é o grande preconceito que temos em relação aos políticos, embora seja a política o fio condutor de toda a nossa vida, um fio de Ariadne que, por algumas vezes, contrariamente, nos leva até ao minotauro.
Como é  quase impossível  viver sem preconceitos, tal a importância que eles exercem no nosso cotidiano, até como forma de evitar o alerta       permanente que a sua inexistência nos levaria. Sem eles teríamos que estar sempre em prontidão e usar a inteligência em vinte e quatro horas para, cada situação que nos exigisse um juízo diante de um fato novo. Haja estresse.
Preconceitos à parte, passadas a eleições volta-se ao espanto do cotidiano, à possibilidade de tocar as nossas vidas, mover nossos corpos, agora de um modo mais natural, menos excitado, mais de acordo com a inexplicável sinergia de nossas relações com os outros, algumas interrompidas por razões político-eleitorais. Recomeçamos um novo diálogo de esperança e expectativa, diante da fragilidade e das possibilidades do milagre da vida que segue. Ocorre, então,  a construção de novos diálogos.
O visível que agora nos é posto às vistas perde parte da coloração ideológica e grande parte dos que nos é permitido ver continua a ser igual, com nuances eventuais e algumas diferenças.  Não há como viver em luta permanente, assim, até os adversários constroem uma nova convivência ou um aparente alheamento.
Só por um instante imaginarmos  que estamos no Maranhão, um estado com dificuldades reais, conhecidas e que necessitam ser  alteradas, que a vida corre e, conforme Frenet, nós nos estafamos para segui-la, ao invés de brandirmos as bandeiras que a orientam; se percebermos  que esse mesmo Estado, por via de um processo, que no meu entendimento, é iniciado no final da  década de 80, quando o País  reconhece a sua quase falência, está repleto de possibilidades, com  empreendimentos reais que poderão transformá-lo  para o bem ou para o mal e onde nós corremos um risco: o de continuarmos na clandestinidade do copie..., copie.. e repita.., repita,  apoiados nas muletas do medo ambiente de Bauman parece que devemos tomar uma posição.
Para não ficar apenas no copie e repita cada um terá que usar suas próprias possibilidades. Entender o processo, exigir transparência, ouvir os representantes nos quais votou, mandar-lhes emeios, com  sugestões, críticas, utilizando  as novas tecnologias de informação,  formar e discutir em  grupos, nas escolas, nas universidades, participar de audiências públicas, questionar, ter uma posição acerca do momento.  
Temos que ter  coragem e nobreza, principalmente  para mudar padrões. Vivemos em um mundo em transição, estes já são outros tempos e, vamos combinar, fazer do  mesmo jeito que já fizemos não dará certo, conforme já não deu.
Se, conforme Arend, a política é a arte da convivência entre diferentes, vamos pela dificuldade dos mais pobres e pelo nosso bem estar, fazer política. Manter as divergências ideológicas sob o possível controle e evitar que as idéias, os confrontos produtivos, os debates em prol do bem comum  desapareçam  do Maranhão, em tempos tão  fustigados pela descrença das utopias, onde o cidadão se mobiliza apenas quando quer, no hoje identificado voto à la carte, na medida em que os políticos esqueceram ou não ouviram o que  disse o  general de Gaulle: a política que não faz  sonhar está condenada ao fracasso.
É bem provável que o resultado de nossa tentativa de afinação  política não soe para nós como para Nietzsche a musicalidade de Bizet; ... perfeita, leve, amável, que não transpira e que se move com os pés delicados.
É necessário, entretanto, que atiremos pedras, na radicalização, no só eu sei –que só funciona em letra da samba -, no excesso de vaidade, na baixa auto-estima de que não somos tão bons, pelo contrário somos ótimos e podemos, se quisermos e, individualmente alterarmos nossas posturas, ajudar, todos na construção de um Maranhão bem melhor não apenas para nossos filhos e netos, mas para nós mesmos.
E quem sabe, ao final do nosso trabalho, que continuará por  outras gerações  possamos dizer como Nietzsche:eu me torno um homem bem melhor quando esse Bizet me persuade.  

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