Há um ditado popular que diz: “o que não mata, cura”. Eu, entretanto, venho sempre reagindo a essa extrema simplificação. Nunca me pareceu que as coisas sejam assim tão cartesianamente simples; sempre imagino a ocorrência de efeitos colaterais, ou de que tudo poderá ser de múltiplas formas. Será que são? Quanto a isto não tenho, ainda, – o que me parece muito bom – uma opinião formada. Continuo supondo, como parece ser, que a beleza e a simplicidade do branco encobre todas as nuances e complexidades do colorido da vida. Fico a entender, e isso me agrada, que o mais simples nos postos à vista, é, na verdade, a soma de um todo complexo, esfuziante, convergente/ divergente em contraposição permanente entre si, senão em dialética, em dialogicidade.
Estas (re)flexões são postas acerca do fenômeno da globalização e de como ele atinge a nossa forma de ver o mundo. Estudiosos desse fenômeno afirmam que ele não é novo, que já ocorre há séculos, sempre esteve aí e aqui eu lembro Heidegger; embora já fosse real, ainda quando não estava claramente dado à nossa compreensão, aqui me reporto a Gadamer. Lembremo-nos do ide e pregai...
Para muitos, na linha do pensamento que não me é dado a aceitar com facilidade, diversos autores afirmam que a globalização cria, dentre as muitas dualidades, duas que me parecem importantes relembrar neste momento do País:
A primeira é a de que, na atualidade, o nosso interesse fica mais focado no global e no local. Este fato, de algum modo, nos (des)ligaria do nacional, posto que o Estado-nacional como se compôs na modernidade já é outro. Os grupos, os sistemas, as comunidades passam a ter mais importância do que o antigo Estado moderno. Já o local é fixado como referência básica. O aqui é onde eu estou; o ali é a minha realidade planetária: eu como o cidadão do mundo de Morin.
Não sei se isso explica, pelo menos em parte, a falta de entusiasmo das últimas eleições, não somente no Brasil, a abstenção de determinadas zonas e seções e outras cositas mais ...
A segunda é a de que a globalização movimenta e fixa. Uns estarão sempre em movimento, o mundo perde os seus centros convencionais. O centro poderia ser Barreirinhas ou Davos, é móvel. Assim Já não haveria um ponto certo para o poço de Jacó; outros, inexoravelmente, serão permanentemente fixados. Acabei de lembrar das tornozeleiras eletrônicas do controle judiciário, implantadas ou a serem. Na globalização fixas as pessoas nascerão e morrerão ali, novos guetos (?),fazem da virtualização das imagens, via fibra ótica ou satélites, o seu real no mundo.
Dito de outra forma, escolhas conscientes ou inconscientes são escolhas; opções, bem ou mal informadas, são opções; o ato da Maria que vai com as outras será sempre um ato. Nestes tempos do cólera, ou melhor, de manter as mudanças, é oportuno, então, que uns continuem sorrindo, brilhando e outros (des)folhem as suas cebolas ou, então, que comecem já a descascar alho.
Parbens Jovem....pelo Blog...já estou te seguindo....
ResponderExcluirD uma visita no meu.... http://jorgenca.blogspot.com/