sábado, 30 de outubro de 2010

O Brasil real passou bem longe ...

O velho e bom Chico Buarque de algumas décadas atrás cantava: “Vai passar nesta avenida um samba popular ...”.  Parece que passou, não um bendito samba, o que passou estava menos para um do “crioulo doido’ e mais para um hip hop de um  sudeste desvairado. Para quem ainda não entendeu, estou falando de eleições presidenciais e de seus debates na televisão.
Com a saída da candidata Marina Silva e de seu discurso articulado, vinculando o nosso dia a dia ao de uma sociedade cada vez mais líquida, que não interessa à grande parte da sociedade brasileira, por não entender o conceito – embora nela já comecemos a viver –, das noções de sustentabilidade, de um novo tipo de desenvolvimento que se constrói a partir do respeito ao homem – nós natureza – o que sobrou, e aqui o sentido é literal, foi a apresentação de dois projetos ou não-projetos de Brasil, discutidos ao nível até da quase necessidade de focinheiras.
Um Brasil de Lula, Presidente transformado em guru e descobridor do país, antes de quem nada havia, um novo Cabral, ou melhor ainda, um D.João VI, o homem, o Cara (?) o Avatar.  
Do outro lado, Serra plantado no Rodoanel, no grande e complexo Estado de São Paulo, parte significativa do Brasil e nem por isso sua síntese.  Falou-se de brasis, constructos particulares, visões específicas. Pouco se falou de Brasil real e de suas questões e necessidades reais.
Na busca da simpatia midiática, falou-se até em 13º Salário do Bolsa Família, quando o correto seria levantar questões de como superá-la com trabalho e salário dignos, para que o brasileiro possa, com dignidade, manter sua família.
A saída da Marina empobreceu o tema dos debates. Temas como o destino produtivo da Amazônia passaram ao largo, adequação de um sistema educacional que, mesmo ampliado, não está, pelo menos, ajustado às necessidades brasileiras e a respeito do qual, pela ignorância dos rumos, experts, ou melhor dito, espertos já estão ganhando muito dinheiro para não preparar para coisa nenhuma, lesando mais uma vez o consumidor brasileiro. As fronteiras, as armas, as drogas, o novo papel do Estado neste novo contexto mundial, novos valores e suas significações, a reforma política, rumos para o desenvolvimento sustentável. Diante do não dito quase senti falta do Brasil como uma República bolivariana...
O Pré-sal apareceu como cabo eleitoral, embora estudos recentes revelem, conforme dito por empresários ligados a petróleo e gás que estiveram no Maranhão, ainda existirem dúvidas, não quanto a sua existência e quantidade, mas quanto a sua qualidade, diante da competitividade internacional.
O que vimos foi só perda de tempo em um grande país que busca, de forma acelerada através do seu povo – quase sempre pouco informado –, dos que realmente trabalham e constroem soluções reais para um país real que, pela graça de Deus, caminha para além dos seus dirigentes.
Por respeito aos bravos brasileiros, não direi que o contexto quase pareceu um desses BBBs, só que sem a qualidade visual de alguns, com algumas pérolas parecidas: em alguns momentos, dava a impressão, et cetera e tal, de que a pátria dos aiatolás era aqui e de que havíamos despertado em um outro planeta....
..... passou.